sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O RETORNO

Na volta de uma guerra por uma pátria estranha, (fora recrutado à revelia, sem poder se esquivar por ali estar trabalhando), pasmou os que pensavam estar ele morto. A noite enterrada nos olhos, e aquela expressão indefinida de quem tudo, e nada viu. Veio com a morte dentro, isso não podiam negar. O capote surrado com as medalhas, permitiam que vissem o peso nos ombros. O único filho na impubescência, lia tristes poemas nos gestos do pai. Viu em seus coturnos, que sofria de penínsulas, e passos flanando para lugar nenhum. Que um dia fora recolhido no campo de batalha como destroço. E agora, depois do banho, na pele do genitor, uma máquina de dor que o filho não discernia ser analógica ou digital, tal e qual um robô que mensura grandezas físicas, contínuas ou lineares latejando rudemente, o indivíduo se protegendo da aniquilação... eis como sobrevivera.

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