sábado, 29 de agosto de 2015

TREVAS ILUMINADAS



Os galhos riscando a vidraria,
os gatos num namoro enlouquecido
em cima do telhado.
À porta de meu quarto minha pobre vó
mandando eu apagar a luz
que há muito está queimada.
Pobre vozinha, as vezes quer se juntar
a mim debaixo da cama.
Mas sei que sua sombra está lacrada
atrás da porta, ainda querendo brincar de
esconde-esconde. Ela, o "pegue", contando
sem parar. Desisto e vou atrás dizendo
que só conte até cinquenta. Me esqueço
que só conhece a primeira dezena, e aí
repete, repete, com vergonha de ser
descoberta. Mas como vozinha? se um dia
eu ainda nas primeiras letras, te peguei me
contando Robinson Crusoé em quadrinhos
de cabeça para baixo?

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