sexta-feira, 14 de agosto de 2015

POEMA VIAGEIRO

Me lembro que em toda estação havia
moças com cestas de guloseimas
e sonhos cuidadosamente embalados.
A vontade de ficar para sempre em cada
cidadezinha. Esse coração vira-lata não
sabia o que queria. Também, cada olhar
implorando permanência mais que o outro.
Na adolescência lhes prometeram um
cavaleiro corajoso. O regate da vidinha
suburbana, algo além do magistério e das
danças sem graça nos salões do fundo
da paróquia. Parecia que à um aceno elas
pulariam no vagão sem olhar para trás.
Se soubessem que também eu com um
pouco mais de incentivo, com o aceno de
um joelho, de metade das coxas...ah essa
viagem que não tem bilhete de chegada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário