sexta-feira, 14 de agosto de 2015

QUEBRANDO O SILÊNCIO

Ele era um professor universitário. Seu silêncio não condizia muito com sua profissão. Talvez porque tivesse que ministrar tão e somente as aulas, isso não fosse barreira. Ela, uma aluna aplicada, apaixonada pelos clássicos americanos, e por ele. Totalmente extrovertida. Viu que se não tomasse a iniciativa, jamais seria reparada. E assim o fez. É claro que só se casaram, porque havia nela um sorriso entrando por todos os poros, que contagiava a todos. E veio o filho. Segundo escondidos rumores, mais silencioso ainda. Com o tempo, passaram a comunicar-se por meio de olhares. Ah, e havia o gato, de andar sinuoso e olhos interrogadores que desaprendera a miar. Quanto sossego. Achou que enlouqueceria. Foi aí que se lembrou de Poe, seu autor predileto. Dirigiu-se ao antiquário mais importante da cidade, e comprou o maior e mais belo relógio de pêndulo que havia. Agora, instalado na sala, o silêncio badalando, de hora em hora.

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