Ele era um professor universitário. Seu silêncio não condizia
muito com sua profissão. Talvez porque tivesse que ministrar tão e somente as
aulas, isso não fosse barreira. Ela, uma aluna aplicada, apaixonada pelos
clássicos americanos, e por ele. Totalmente extrovertida. Viu que se não
tomasse a iniciativa, jamais seria reparada. E assim o fez. É claro que só se
casaram, porque havia nela um sorriso entrando por todos os poros, que
contagiava a todos. E veio o filho. Segundo escondidos rumores, mais
silencioso ainda. Com o tempo, passaram a comunicar-se por meio de olhares. Ah,
e havia o gato, de andar sinuoso e olhos interrogadores que desaprendera a
miar. Quanto sossego. Achou que enlouqueceria. Foi aí que se lembrou de Poe,
seu autor predileto. Dirigiu-se ao antiquário mais importante da cidade, e
comprou o maior e mais belo relógio de pêndulo que havia. Agora, instalado na
sala, o silêncio badalando, de hora em hora.
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