No caminho, o que conta, não é chegar rápido, é a paisagem
preguiçosa, alegre, a companheira do lado na boleia, os filhos no banco
traseiro. O caminhão atrás chegando no mesmo restaurante, todos se fazendo
amigos. Os rostos afogueados pelo calor, agora tem água fresca, calmaria, e a
lembrança indolente de que deixaram as pratarias do dia anterior na pia, para
quando voltassem. Na frente, o mar. A brisa salgada salivando o apetite
para o piquenique de logo mais. Um cardápio frugal no restaurante, pão com
queijo branco e frutas. Pensavam no melhor para quando chegassem, os caiçaras
com seu caranguejos, a cesta preparada pela mãe atiçando a curiosidade do casal
de filhos. Dentro do caminhão novamente. De repente, uma chuva fina e
passageira. O sol inclemente do meio dia querendo apagar da memória o chuvisco
de verão, levantando poeira que cintilam como grãos de ouro dentro do
arco-iris. A lassidão se apoderando dos corpos. Passam por casas simples, o
varal imenso com roupas que denunciam o sono tranquilo daquela noite. Num olhar
de cumplicidade vão percebendo que não é o destino o mais importante. O
contentamento é o estarem juntos, se bebendo, as vezes cerrando os olhos
tamanha a claridade, mas nunca só se vendo, se olhando, pois isto, é muito
pouco.
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