(um tributo a Karl Marx )
Impecavelmente vestido, pediu ao dono do coche que o
estacionasse em frente ao prédio, onde morava o amigo num antigo bairro
londrino. Subiu as escadarias, até o andar onde este habitava. Bateu à porta,
foi recebido por uma mulher com agasalho pesado por causa do frio. Observou uma
criança bastante debilitada num berço. Perguntou pelo amigo, ao que a senhora
informou estar este no "pub". Constatando a precariedade da situação,
entregou uma boa soma de dinheiro à mulher. Deixou o aposento, e descendo
a escadaria, foi até o estabelecimento comercial. Encontrou o amigo sentado,
meio de lado, por causa das feridas nas costas e região glútea. Era engraçado
vê-lo, enorme, naquela posição, em cima dos manuscritos, que vinham lhe
consumindo noites inteiras. A enorme barba, com a espuma da cerveja que sorvia
aos goles. Mirava um ponto indefinido, e ao ver o amigo, lágrimas rolaram-lhe
pela face. Engels lhe estendeu a mão, mas este disse que ainda precisava fazer
algumas revisões. Engels foi taxativo: os trabalhadores vêm se virando à cinco
mil anos, mais um dia não fará diferença meu querido amigo. Venha, vamos a
outro lugar, beber até cair.
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