sábado, 8 de agosto de 2015

ALDEOLA

Não se ouvia choro no velório. A criatura, tida como má, negava até água aos viandantes. Quarenta anos aproximadamente. Morrera na suposição dos poucos entendidos da aldeia, de um infarto fulminante. Suspeitava-se que escondesse uma gravidez. Nos minutos que precederam o fechamento do caixão, a filha mais jovem passou a mão pelo abdômen da mãe e percebeu a luta da criaturinha para se libertar. Não fez alarde. Estava ansiosa pelo sepultamento para que pudesse desfilar seu lindo vestido preto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário