sábado, 8 de agosto de 2015

ARISTÓTELES, A TRAGÉDIA, E O PECADO

Aristóteles via como tragédia, a passagem do homem da boa fortuna para a má fortuna, motivada puramente por uma falta ocasional em algum momento de sua vida, em que tomou a atitude que o conduziria ao corredor sem portas, que desembocaria no abismo.
Aristóteles enxergava como mimese todas as paixões, todas as cenas dolorosas e mesmo o desfecho trágico, (imitação apresentados por via do poético, poiésis, criação artística) não como realidades, mas valores anexados à realidade, pois arte é uma realidade artificial. A arte portanto, não é moral nem imoral, é simplesmente arte. Assim o homem criaria coisas inexistentes, ou as representaria como deveriam ser.
Para Platão, mimese é o afastamento da realidade, sua distorção, por isso condenava os poetas. Na sua dialética da essência e da aparência, o poeta é um recriador inconsciente, porta voz apenas, não a voz original. Reproduz coisas existentes, enquanto a matriz original, criação perfeita, divina, encontra-se na região do 'eidós', no mundo das ideias. A arte, alimentando-se da imitação, reside nos domínios da aparência, e não da essência, sendo assim para Platão, imoral. Prefiro comungar com Aristóteles, que achava que a mimese reforça a natureza, ajudando-a a alcançar seu objetivo. No livro, "Física", de Aristóteles, ele fala que a arte conclui as coisas quando a natureza falha, ou imita as partes que faltam. E na sua "Poética", ainda disse: O impossível tem mais valor, porque o tipo ideal deve superar a realidade, já que na poesia, é preferível o impossível que persuade, ao possível que não persuade. Fico pensando nisso, e acho também que se for verdade, que Sócrates é uma criação de Platão, como querem nos fazer entender alguns especialistas, ele não era tão desumano assim com os poetas, pois Sócrates era muito mais humano que Platão, e sendo mais humano, uma criação que ultrapassa a realidade, embora fruto do cérebro, parte da realidade de Platão.


Não existe pecado portanto, mas tragédia, devido a algum erro, um ato inabilidoso, mas não moralmente culpável. Um homem ir para a cama com uma mulher casada e voltar para a sua casa esquecendo o que fez, não passa de um drama. Se porém, levar a mesma ao cinema, e este pegar fogo, e for fotografado ao lado dela, saindo as fotos em todos os jornais, teremos a possibilidade de uma tragédia.

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