É tarefa do pensamento político definir e localizar a fonte
do poder na sociedade. Obras de peso atravessaram os séculos identificando o
Estado no centro da autoridade política. Maquiavel defendia a expressão
absoluta do poder para legitimar os interesses do governo. Hobbes enxergava o
monarca como o antídoto à corrupção humana. Assim, a análise do poder do Estado
tem sido a primeira nota de uma escala que vem analisando a política.
Mais recentemente, Michel Foucault, um filósofo francês,
disse que o poder, em vez de estar centrado no Estado, estava difundido em
muitos "microlugares", por toda a sociedade. Foi crítico ferrenho dos
pensadores que centravam a autoridade formal unicamente nesta entidade. Deste
modo, sugeriu que os teóricos políticos cortassem a cabeça do rei. Sendo
sintético, poderíamos colocar desse modo o seu pensamento: A natureza da
sociedade mudou, o poder não mais reside apenas dentro do Estado ou em uma
única figura de autoridade. O poder também existe nos microlugares da
sociedade, como escolas, locais de trabalho e famílias. O poder do Estado não
pode mais ser separado do poder da sociedade. Como isso é absolutamente atual
para entendermos o papel do povo que quer participação, para assegurar que o que
estão pleiteando seja efetivado.
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