terça-feira, 11 de agosto de 2015

CRÔNICA DO AMOR

As sinapses não dão conta de todas as memórias. Mas sei que alguns partiram e isto causa dor imensa. Como causa dor a vontade de se aproximar de quem se ama, e não poder. Por respeito ao amor e à amizade, age-se assim, com integridade, e é melhor a visão de longe do que visão nenhuma. Colher parte do dia e da noite na rede que entendi ser desumana para coletar borboletas, ao lado da pessoa que se ama já é um prêmio. Principalmente se nos dermos conta de que em tempos virtuais pessoas aparecem e desaparecem num piscar de olhos. É tudo muito superficial. Como não ficar extasiado com um grupo de amigos que falam a mesma língua, compartilham do belo e do besteirol com a graça que lubrifica a ferrugem das horas mais difíceis?

Estamos caminhando para dias tenebrosos. Há o prenúncio de um vórtice de terríveis eventos. Sendo dirigidos por pessoas que não se importam em lesar o patrimônio de nosso povo, o que esperar? Sermos atirados aos tubarões no mar mediterrâneo como os povos da Líbia que tentam fugir da opressão de um país que sofre a insurgência do estado islâmico? Alice no País das Maravilhas perguntou quanto tempo dura o que é eterno? O coelho respondeu: Às vezes, apenas um segundo. Quando as piras forem novamente acesas como na Santa Inquisição, que estejamos preparados como um monge budista. Estes sabem viver o presente. E talvez tenhamos realmente este, como o "segundo", que o coelho definiu como eternidade para Alice.

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