Travamos uma luta mesmo dormindo. Alguns sonhos se repetem
dentro do próprio sonho. Memórias seculares surgem nestes, e a maioria
desaparecem quando acordamos. Não importa o esforço despendido, estes não
voltam. Já tive a desfaçatez de levar para a cama caneta e papel para anotá-los
caso acordasse. Não funciona. Qualquer anotação perde o contexto ao acordarmos.
Assim é melhor. Dessa maneira, criamos pedaços para colar na realidade. Platão
afirma que "o ato humano, via imaginação, de preencher lacunas, é um ato
de memória". Evidentemente ele acreditava em prévias existências, o que
não é o meu caso. Acredito mais que trazemos impressões de nossos antepassados.
Como uma carga genética semelhante a certas doenças que herdamos. E assim como
um quebra-cabeças, preenchemos lacunas. Talvez dessa maneira, os fios da
civilização estejam sendo urdidos.
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