quinta-feira, 13 de agosto de 2015

(IM)PACIENTE

Acordou lentamente com gritos e gemidos de dor numa sala de grandes proporções. Não podia ver, mas à sua cabeceira máquinas apitavam vida e morte. Começou a lembrar-se. A queda. Do alto, de costas. Que primeiro batera a cabeça na laje, e em seguida, as costas numa viga estrutural. Que havia muita gente no terceiro andar. Os paramédicos e bombeiros pediam espaço. Que foi virado de lado e preso à uma prancha enrijecida de plástico. Gritou. Tentou mexer as pernas. Apagou.

Acordara assim, o caos instalado e um médico tentando tudo resolver. Um frasco gotejava soro em sua veia enquanto lhe aplicavam morfina. Agora uma enfermeira apontava para uma máquina e argumentava com o médico: doutor, os batimentos cardíacos estão caindo, nós vamos perdê-lo...Imaginando ser ele, no seu desespero gritou: doutor, faça alguma coisa, estou morrendo. O médico lhe pediu calma. Disse-lhe: o senhor não está ligado a nenhuma dessas máquinas. Exceto a fratura em três costelas, que vai lhe causar dor por um bom tempo, está tudo bem contigo. E para a enfermeira que apontava o paciente à sua esquerda ordenou: rápido, o desfibrilador.

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