( Nós fazemos a nossa vida da
morte dos outros- Leonardo da Vinci )
Numa festa que vararia a noite, ele dançou com ela quase todo
o tempo. A festa era para comemorar a abertura duma casa noturna, num belo
bairro da cidade. As músicas selecionadas previamente pela banda agradavam em
cheio. Por mais de uma vez esbarrou num sujeito, que agora percebia, encarava
sua acompanhante. Uma jovem garota do bairro, que lhe despertara à atenção, ao
ponto de tê-la convidado para a festa em que estavam. O sujeito era descarado,
e continuou a desafiá-lo. Era notadamente mais velho que ele. Em um determinado
momento, esbarrou-lhe, e tocou o corpo da garota. Como não era covarde, encarou
e jogou-o de frente por sobre uma mesa, espatifando-a com as cadeiras.
Imediatamente os seguranças tomaram conta da situação, colocando o baderneiro,
que também identificado por outros com tal, fora do salão. Este foi embora, mas
voltou. Postou-se atrás de uma enorme árvore que compunha o conjunto
arquitetônico do prédio. Algumas estrelas ainda no céu, quando o jovem saiu com
a bela que lhe propiciara uma noite maravilhosa. Em direção à porta do veículo,
para que a jovem entrasse, foi interceptado. Um golpe certeiro no peito. O
punhal cravado. A jovem, num instinto de sobrevivência, correu para os
seguranças, que imediatamente imobilizaram o assassino.
Em poucos minutos, uma ambulância e um carro da polícia. O jovem levado as pressas, chegou sem vida ao serviço hospitalar de emergência. O assassino, preso em flagrante.
Em poucos minutos, uma ambulância e um carro da polícia. O jovem levado as pressas, chegou sem vida ao serviço hospitalar de emergência. O assassino, preso em flagrante.
Passaram-se apenas quinze dias,
até que um advogado convenceu o juiz, que este agira no calor de uma situação,
que exigia que se defendesse. Tinha bons antecedentes, emprego, e uma
residência fixa. Podia aguardar o julgamento em liberdade.
A família do jovem desolada. A mãe como ninguém. Entendeu que
jamais fariam justiça ao seu filho. Tentou uma, duas, várias vezes o suicídio.
Sempre socorrida às pressas, os médicos evitavam o pior. Numa das muitas
audiências de comparecimento em que o assassino tinha que mostrar que
continuava na cidade, depois de meses da tragédia, todos, no último andar do
prédio forense. Contra a vontade da família, ela compareceu para ver de perto o
algoz que destruíra sua vida. Terminada a audiência, ela com a família, e o
advogado que contrataram para pressionar a justiça, no intuito de se fazer
cumprir a lei. Depois do que ouvira na sala, compreendeu que suas esperanças
estavam ancoradas num banco de areia. O marginal deixou a sala, acompanhado dos
dois advogados que lhe prestavam suporte. A mãe, percebeu que iam deixar o
prédio pelo elevador, evitando as escadarias que tinham formato de caracol, do
quinto ao andar térreo. Numa fúria assustadora, correu e agarrou-se à criatura,
projetando-se com a mesma sobre os corrimões, nos socavões dos cinco andares.
Um silêncio de morte, apossou-se de todos.
(Isto é uma obra de ficção)
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