sábado, 8 de agosto de 2015

À LUZ DA MELANCOLIA

Ai, de tão pedido na memória são cacos de ecos de outrora.
Dizem: pena ter crescido. Onde os campos de laranjais
com o vento balançando galhos de ouro suculento?
E o pilão com milho por socar disputando a preguiça de irmãos?
Sob as luzes do candeeiro não me despedi das noites de estudo,
do céu banhado de tochas cadentes. Noites de banhos no tacho com
meninas mais velhas me iniciando em estranhos rituais onde colhiam
meus fluidos. Noites com as mulheres ouvindo novelas de rádio que se
confundiam às frágeis britadeiras de vidro dos grilos de Quintana.
As visitas na casa dos avós, na avenida Calógeras, as rezas na
penumbra do quarto de vó Doca, meu medo inconfessável dos santos
nas quadrelas, o ranger na madrugada dos sapatos de vô Olímpio, o cheiro de fumo do cigarro de palha, a fumaça esparramando meus sonhos andarilhos.

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