sábado, 8 de agosto de 2015

ALCATIFA

Gosto do tapete que me presenteaste para adornar a sala do apartamento. A luz que invade no meio da manhã as janelas de vidro, bordam de filigranas esse atavio de tão bom gosto. A claridade empresta voz ao que escrevo. Não precisamos mais da cama e do sofá para nossos jogos amorosos. Lês minha sorte atestando o nosso destino para confins inimagináveis. Talvez seja porque desdenhei de ti afirmando que vou escrever o romance do século. E assim passo meus dias ao lado de inúmeros léxicos, formulando histórias com os meus pés amarrados a fios de seda segregados pelas aranhas. Entendes minha solidão e te ausentas. Não existe abismo suficiente para o sepulcro da melancolia das palavras. Na mesinha de centro, a clepsidra, esse estranho relógio d'água cleptomaníaco, que rouba do tempo os minutos de que preciso, para compor o martírio de minhas criaturas.

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