Querer explicar os quase trezentos mil votos de Maluf, a ocupação na cadeira de
deputado federal pelo cantor Sergio Reis, a condescendência dos que apoiam o
atual governo mesmo ante todas as demonstrações de que sabem de todas as
falcatruas do mensalão e da Petrobras, é o mesmo que aplaudir uma exposição que
expõe boias de golfinho com panelas penduradas no teto, na bienal de São Paulo
de 2011, batizada, "Em Nome dos Artistas", com a firme convicção de
que estão diante de Arte. Só algo muito pior pode apagar a sensação de algo
muito ruim. Desagradável a sensação de estarmos sendo passados para trás.
Engraçado que muita gente paga para ter essas coisas em casa. Pior, há teorias
elaboradas que visam fundamentar o valor disso. É um circulo vicioso, quem
compra precisa do aval de quem abençoa. Afinal o público precisa aumentar. Não
nos parece que também há uma cegueira histérica para explicar a reverência de pessoas
que num primeiro momento designaríamos como sensatas, mas que anestesiadas tem
sufocadas qualquer capacidade de reação para se desvencilharem do simulacro
perpetrado pelo sistema que quer vender boias e panelas como arte, mas que
também insistem que esses pseudos-modelos políticos populares dão vozes às
necessidades mais interiores do povo como se fossem modelos pós-modernos da
arte pop?
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