terça-feira, 11 de agosto de 2015

CARBONO 14

Uma bergamota
na cesta de frutas,
única, sozinha, exala
o cheiro de bosque
na casa inteira.
Sua cor de sol
completa o cenário.
As vidraças retendo
o calor, cristalizando
a beleza do ambiente,
fixando a idade dos
fósseis que venho
colecionando há
tempos nessas estantes
cheias de livros. Um
dia por certo, todos os
personagens fugirão,
suas idades reveladas
pelo isótopo do grafite
que a ninguém perdoa.
Não adianta o botox,
o gel, o silicone. Narciso
não mais se contentará
mirando-se no espelho.
Ninguém mentindo com
tanto esmero impedirá
o veredicto verdadeiro,
esse que contemplará
Narciso se afogando
no lago, que por tanto
tempo o admirou indeciso,
não sabendo afinal, se
ele era puro improviso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário